Regional
A capoeira regional foi criada por Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado, 1899-1974). Ele criou sequĂȘncias de ensino e metodizou o ensino de capoeira. Inicialmente, Bimba chamou sua capoeira de "Luta regional baiana", de onde surgiu o nome regional.
Manoel dos Reis Machado, conhecido por ser um habilidoso lutador nos ringues, e inclusive, ser um exĂmio praticante da capoeira Angola, procurou fazer com que a capoeira tivesse uma maior força como luta e fez isto incorporando a ela novos golpes. Um fato que Ă© conhecido, Ă© de que Bimba teria incorporado golpes do Batuque, uma luta jĂĄ extinta, que era rica em golpes traumĂĄticos e desequilibrantes. Inclusive, sabe-se que o pai de Mestre Bimba era praticante desta luta.
A Regional surgiu por volta de 1930. Mas Mestre Bimba se preocupou nĂŁo sĂł em fazer com que a capoeira fosse reconhecida como luta, ele tambĂ©m criou o primeiro mĂ©todo de ensino da capoeira, as "sequĂȘncias de ensino" que auxiliavam o aluno a desenvolver os movimentos fundamentais da capoeira.
Em 1932, foi fundada por Mestre Bimba a primeira academia de capoeira registrada oficialmente, em Salvador, com o nome de "Centro de Cultura FĂsica e Capoeira Regional da Bahia".
Das muitas apresentaçÔes que Mestre Bimba fez, talvez a mais conhecida tenha sido a ocorrida em 1953, para o entĂŁo presidente GetĂșlio Vargas, ocasiĂŁo em que teria ouvido do presidente: "A capoeira Ă© o Ășnico esporte verdadeiramente nacional."
Na academia de Mestre Bimba, a rigorosa disciplina que vigorava determinava trĂȘs nĂveis hierĂĄrquicos: "calouro", "formado" e "formado especializado". Uma das maiores honras para um discĂpulo era poder jogar IĂșna, isto Ă©, jogar na roda de capoeira ao som do toque denominado IĂșna, executado pelo berimbau. O jogo de IĂșna tinha a função simbĂłlica de promover a demarcação do grupo dos formados para o grupo dos calouros. A Ășnica peculiaridade tĂ©cnica do jogo de IĂșna em relação aos jogos realizados em outros momentos no ritual da roda de capoeira era a obrigatoriedade da aplicação de um golpe ligado no desenrolar do jogo, alĂ©m do fato de destacar-se pela maior habilidade dos capoeiristas que o executavam. O jogo de IĂșna era praticado apenas ao som do berimbau, sem palmas ou outros instrumentos o que reforçava seu carĂĄter solene. Ao final de cada jogo, todos os participantes aplaudiam os capoeiristas que saĂam da roda.
A Regional Ă© mais recente, com elementos fortes de artes-marciais em seu jogo. A Regional (Luta Regional Baiana) tornou-se rapidamente popular, levando a Capoeira ao grande pĂșblico e mudando a imagem do capoeirista tido no Brasil atĂ© entĂŁo como um marginal. Seu jogo Ă© mais rĂĄpido, mas tambĂ©m existem jogos mais lentos e compassados. Apesar do que muitos pensam, na capoeira regional nĂŁo sĂŁo utilizados saltos mortais, pois um dos fundamentos da capoeira regional, segundo Mestre Bimba Ă© manter no mĂnimo uma base ao solo (um dos pĂ©s ou uma das mĂŁos). O forte da capoeira regional sĂŁo as quedas, rasteiras, cabeçadas.
Em toques rĂĄpidos como SĂŁo Bento Grande da Regional se faz um jogo mais rĂĄpido, porĂ©m sempre com manobras de ataque e defesa (importante ressaltar que todos os golpes devem ter objetivo), mas sempre respeitando o camarada vencido (parar o golpe se perceber que ele machucarĂĄ o parceiro, mostrando assim sua superioridade e humildade diante do camarada). Ambos os estilos sĂŁo marcados pelo uso de dissimulação e subterfĂșgio - a famosa mandinga - e sĂŁo bastante ativos no chĂŁo, sendo frequentes as rasteiras, pontapĂ©s, chapas e cabeçadas.


